13 fatos sobre microplásticos e por que isso é problema seu!

As bactérias amam o microplástico! Aprendi isso com o Professor Luis Fernando Amato, Engenheiro Ambiental, pós-doutorando da Faculdade de Medicina da USP. Elas usam esse material como uma espécie de “lancha”, acumulando-se em volta dele para navegar rios, oceanos, lagos e, assim “motorizadas e modernizadas”, as bactérias vão parar dentro de diversos organismos marinhos, como as ostras, as lagostas, os camarões e os plânctons.

Então, no fim das contas a natureza vai incorporar esse material, assim como incorpora tudo o que é depositado nela.

A questão é: por que isso é problema seu?

Se formos um pouquinho inteligentes, vamos lembrar do conceito de cadeia alimentar, aquela imagem circular com flechinhas que vimos no 6º ano do colégio, e então vamos lembrar do peixinho que comemos nas férias ou da nossa paixão por bobó de camarão.

Pois é. Somos predadores e um dos novos temperos no nosso cardápio é.... o microplástico!

Mas não é só isso. Faça um exercício simples.

Olhe à sua volta agora mesmo e conte quantos objetos feitos de plástico encontra no ambiente.

Se você contou menos de dez, está com sorte!

Agora veja quantos tipos diferentes de plástico você identifica. Os mais rígidos que fazem o celular ou a tv, os maleáveis, as garrafas pet. Quantos foram?

Pois bem. Nossa vida é feita de plástico.

Mas e daí, Casa Causa? Me deixa viver, caramba!!

Claro, só que viver como? Bora entender a história desse material e onde ele está nos levando. 

1.     Em 1909, foi criado o primeiro polímero sintético resistente ao calor e à eletricidade, o baquelite, aquele usado nos telefones antigos, pretos. Nos anos 40 e 50, foram criados vários outros polímeros (ou tipos de plástico), como o nylon, o teflon, o pet. Hoje são mais de 5300 classes de polímeros sintéticos.

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2.     Em 2015, foram mais de 320 milhões de toneladas de plásticos produzidos no mundo, segundo o Forum Econômico Mundial, e 50% disso é destinado a embalagens de uso único, aquelas que fazem a nossa praticidade diária, como sacolinhas, embalagens de comida congelada, copos e canudos.

3.     Entre os plásticos mais encontrados estão o polietileno, usado nas embalagens de alimentos, por exemplo, o polipropileno, que faz desde copinhos plásticos até carpetes, brinquedos e canos, e o pet, aquele da garrafinha plástica, todos muito resistentes. A quebra deles é bastante lenta (eles são projetados para isso, afinal!). Então o processo demora séculos e eles vão ficando cada vez menores, daí o termo microplástico.

4.     As partículas de microplástico tem menos de 5mm, mas hoje em dia já se fala em nanoplásticos, menores que 1mm.

5.     Uma pesquisa francesa encontrou microplásticos... no ar!!! Cada vez que chovia, os pesquisadores verificavam quanto desse material era depositado nos sensores colocados no solo.

6.     O plástico leva também aditivos que podem corresponder a até 50% do total de sua massa. Por exemplo, os plastificantes, que dão a maleabilidade, os estabilizantes, os lubrificantes... E essas substâncias contém cádmio, chumbo e outras substâncias perigosas.

7.     Agora… lembra das “lanchas” de bactérias? Então. Elas formam também o chamado filme bacteriano, uma espécie de “transatlântico bacteriano” e assim circulam desapercebidas pelos nossos corpos d’água.

Mas qual o problema? Bactérias sempre existiram!

Até dentro do nosso corpo. A gente vai morrer disso?

Bom, Segundo Prof Fernando Amato, não existem ainda pesquisas que comprovem categoricamente os malefícios do microplástico para a saúde humana, massssss... já ficou comprovado que:

Animal plantônico sufocado por uma fibra de microplástico, esse fiozinho que atravessa o corpo dele. Achamos bem chocante…

Animal plantônico sufocado por uma fibra de microplástico, esse fiozinho que atravessa o corpo dele. Achamos bem chocante…

1.     Eles se acumulam nos intestinos de animais marinhos muito pequenos e acabam matando esses animais. Os popépodes, por exemplo, são comidos por vários peixes que nós comemos. É a tal da cadeia alimentar.

2.     Eles reduzem a taxa de reprodução das ostras e outros animais marinhos.

3.     Eles matam as minhocas que são essenciais para a nossa agricultura. Mas como? Achei que o problema fosse no mar! Errou, cara pálida. O lodo das estações de tratamento de água das nossas cidades, que contém microplástico, é usado como adubo na agricultura.

4.     Os microplásticos aumentam a taxa de envelhecimento dos camundongos, inflamam rim, fígado e intestino. Lembrando que eles também são mamíferos, com estrutura bem parecida com a nossa.

5.     Eles estão no sal de cozinha (segundo pesquisa feita na Espanha ano passado) e na água engarrafada.

6.     Em 23/10/2018 num dos mais importantes congressos de gastrenterologia do mundo, foi mostrado um piloto de uma pesquisa que encontrou microplásticos nas fezes humanas.

Então, bom, você já deve ter tirado as suas próprias conclusões.

Mais do que nunca:

Precisamos causar!

E isso se faz com os bons e velhos Rs.

Vamos a eles:

REPENSE o seu uso de plástico! Você precisa mesmo dele? Quando pode dispensá-lo!  O que pode substituir o plástico na sua vida? Fique alerta e...RECUSE especialmente os plásticos de uso único!

RECOLHA! Sim, #achoucatou! Mesmo o lixo que não é seu, é problema seu, como mostramos acima.

REUSE. Lembre-se: estamos falando de um material hiper durável, que vai acompanhar a humanidade nos próximos 500 anos mais ou menos. Dar novos usos para o plástico evita que ele fique no meio ambiente se fragmentando e se transformando em microplástico.

E finalmente, RECICLE. Não resolve o problema, mas se você não conseguiu evitar o plástico, procure dar um destino correto a ele. O Pet, o poliestireto, o poliprobileno são todos recicláveis e têm valor de mercado!

Só assim você pode ajudar a evitar que o microplástico que você gera hoje acabe sendo engolido ou inalado por algum dos seus descendentes.

Olha a evolução do plástico aí gente! Mais de 50% de crescimento desde o ano 2000.

Olha a evolução do plástico aí gente! Mais de 50% de crescimento desde o ano 2000.

(este artigo foi produzido com base em palestra dada durante a Semana Lixo Zero, organizada pelo grupo das vilas BEIJA, Beatriz, Ida e Jataí, a quem agradecemos muitíssimo!)